8 de fev de 2013

Guia de sobrevivência para o Carnaval

Folião durante a Banda de Ipanema, no Rio de Janeiro

Calor, bebedeiras, sol forte e noites mal dormidas podem acabar com a folia A ressaca do dia seguinte é apenas um dos efeitos mais visíveis e imediatos da falta de cuidado com a saúde durante o Carnaval. Nas cidades que têm as principais festas do Brasil, Rio de Janeiro e Salvador, foram realizados 8.064 e 7.024 atendimentos médicos respectivamente em 2012, segundo as secretarias municipais de saúde de cada cidade. E as consequências da falta de cuidados podem ser muito mais duradouras que apenas um um dia de náuseas e dores de cabeça. Acompanhar o trio elétrico embaixo do sol do pleno meio-dia dançando sem parar? Sem o uso de um protetor solar adequado, que proteja tanto contra raios UVB e UVA, o resultado pode ser graves queimaduras. "Passe até a pele ficar meio esbranquiçada mesmo", diz Denise Steiner, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Ficar próximo demais das caixas de som também pode causar danos irreversíveis à audição. O ideal é manter uma distância de pelo menos 20 metros. E a escolha do sapato correto é essencial para evitar lesões no tornozelo e no joelho, e aliviar a pressão nas costas. Mesmo quem não abusa pode enfrentar problemas por dormir pouco, o que enfraquece o sistema imunológico, deixando-o mais exposto a infecções oportunistas, como a herpes. Quanto à alimentação, "prefira alimentos leves e beba muita água", diz Marcos Túlio Haddad Filho, gastroenterologista do Hospital Samaritano do Rio de Janeiro. O site de VEJA preparou uma lista com dicas de especialistas para voltar são e salvo do Carnaval.
 ALIMENTAÇÃO E HIDRATAÇÃO
 Beba sempre muito líquido não alcoólico, de preferência água. Além de não terem o mesmo potencial hidratante da água, sucos e refrigerantes podem ainda ser uma bomba calórica. Na hora de escolher o que comer, prefira alimentos leves, como verduras, frutas e legumes, e tente fazer um lanche a cada três ou quatro horas. Optar por um carboidrato ajuda a ter energia para aguentar o dia de folia. E, claro, beba com moderação. “Tenha ainda bastante cuidado com alimentos contaminados, que podem causar infecções”, diz Marcos Túlio Haddad Filho, gastroenterologista do Hospital Samaritano, do Rio de Janeiro. As dicas do especialista são: higienize bem as mãos antes de comer, confira sempre a data de validade dos alimentos, prefira produtos que vêm em embalagens lacradas e procure sempre lavar a parte superior das latas de bebidas.
VACINA
Antes de viajar, certifique-se de que sua carteira de vacinação está atualizada. Como os riscos de cortes por objetos de vidro e de ferro cortantes aumentam, por exemplo, é recomendado o reforço da antitetânica. “Não tem problema se esse reforço for tomado poucos dias antes da viagem”, diz Morad Amar, clínico geral do Pronto-atendimento do Hospital Albert Einstein. As vacinas de HPV e de hepatite B — vírus sexualmente transmissíveis — também seriam indicadas para a ocasião. Mas o cuidado deve começar meses antes, já que elas são tomadas em várias doses, com periodicidade que pode chegar aos seis meses.
SOL
Prefira protetores solares com proteção contra raios UVB (ultravioleta A, provoca lesões na camada mais profunda da pele) e UVA (ultravioleta B, costuma 'queimar' a pele). Na hora de aplicar, não economize: a quantia certa para o rosto é de uma colher de sobremesa. "O recomendado é que a pele fique meio esbranquiçada mesmo", diz Denise Steiner, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Apesar do nível de proteção UVB aumentar muito pouco de um protetor FPS (Fator de Proteção Solar) 30 para um FPS 60, a variação no UVA é significativa. Normalmente, um FPS 30 tem proteção UVA 10, e o FPS 60, UVA 20. É importante ainda repassar o protetor sempre a cada duas ou três horas. “O tempo para repassar o protetor depende se o folião suou muito, se o filtro é em gel (sai mais fácil) ou se ele passou pouco na primeira aplicação”, diz Denise. Usar bonés, chapéus — feitos, de preferência, com tecido com proteção solar — e óculos de sol também ajudar a proteger contra o sol. Caso exagere na exposição ao sol e a pele ficar levemente avermelhada e dolorida, evite hidratantes comuns. De acordo com a dermatologista, o ideal são os cremes pós-sol, já que eles não contêm substâncias que podem irritar a pele, a exemplo da ureia. “Os hidratantes calmantes costumam ter vitamina E e camomila.”
PÉS, PERNAS E COLUNA
Alongue braços, pernas, pescoço e lombar antes, durante e depois da folia — cada grupo muscular por 30 segundos. “O músculo alongado resiste melhor aos exercícios, isso ajuda a postergar a fadiga”, diz João Amadera, médico fisiatra e diretor do Spine Center do HCor de São Paulo. Na hora de escolher o sapato, opte por um que tenha a parte posterior três centímetros mais alta do que a anterior. A maioria dos tênis esportivos tem esse padrão. “Eles ajudam a prevenir torções no tornozelo e dores no joelho e nas costas”, diz Amadera. Durante a folia, faça uma pausa a cada 30 minutos para descansar. Isso ajuda a aliviar as pernas e as costas, e pode ajudar a diminuir possíveis dores. Não se esqueça ainda de escolher roupas e mochilas leves. De acordo com Amadera, sua bolsa deve pesar, no máximo, 10% do seu peso.
NOITES DE SONO
Dormir o necessário para restabelecer o pique é essencial. A média de horas que uma pessoa necessita para acordar descansada é de oito horas, mas esse número pode variar muito. “Dormir mal por noites contínuas pode prejudicar o sistema imunológico, aumentando a probabilidade de doenças”, diz Morad Amar, clínico geral do Pronto-atendimento do Hospital Albert Einstein. Se você não é acostumado a trocar a noite pelo dia na hora de dormir, fazer isso durante o Carnaval não irá substituir o sono reparador necessário.
 SEXO SEGURO
Para evitar doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), não deixe de usar camisinhas. É indispensável o uso do preservativo, seja ele o masculino ou o feminino — desde que não sejam usados concomitantemente. O vírus do papiloma humano (HPV) também é uma DST e, nem sempre, é prevenido pelo uso do preservativo. "Existe sim uma proteção, mas há a possibilidade do toque em lugares onde a camisinha não protege", diz Morad Amar, clínico geral do Pronto-atendimento do Hospital Albert Einstein. A mononucleose infecciosa, popularmente conhecida como Doença do Beijo, é transmitida pelo contato sexual e pela saliva. Por isso, os especialistas recomendam moderação. Apesar de não ser considerada epidêmica durante o Carnaval, a mononucleose é altamente contagiosa. O vírus se propaga com mais facilidade quando não há uma boa higiene pessoal e em grandes concentrações de pessoas.
RESSACA
Acordou com dor de cabeça, sensibilidade à luz e ao barulho, enjoo e dor na boca do estômago? Sinal de ressaca. Para evitar o mal estar no dia seguinte à folia, o mais indicado é o óbvio: não exagere na bebida. Segundo Alfredo Salim Helito, clínico geral do Hospital Sírio Libanês, cuidados como alternar bebidas alcoólicas e não-alcoólicas e não beber de estômago vazio também ajudam a evitar a ressaca. “O ideal seria alternar um para um. Assim, a pessoa se mantém hidratada, com uma boa quantidade de glicose e de sais minerais no organismo", diz. Uma vez que a ressaca apareceu, não há muito o que fazer. O jeito é se alimentar e beber muito líquido, e recorrer a analgésicos e remédios para o enjoo. “A ressaca pode durar de poucas horas até umas 12 horas”, diz Salim.

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