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5 de mar. de 2014

A MÃE DE TODAS AS GUERRAS

A catapulta foi uma das mais revolucionárias armas inventadas pela humanidade. A partir dela, as máquinas - e não o homem - é que decidiam as batalhas
Texto Fabiano Onça


 Em 1304, o rei Eduardo 1º da Inglaterra cercou o castelo de Stirling, na Escócia. Lá resistiam os últimos guerreiros que, anos antes, haviam apoiado a rebelião antiinglesa promovida pelo escocês William Wallace. Sem conseguir demolir as sólidas muralhas, Eduardo 1º apelou. Ergueu um engenho conhecido como trebuchet – uma máquina de atirar pedras, parente gigante da catapulta. Por 10 semanas, um batalhão de 50 operários cortou 20 grandes carvalhos para construir o monstro, ali mesmo, no local do cerco. O colosso intimidou de tal modo os defensores que, antes mesmo de ser concluído, fez com eles tentassem se render. Mas Eduardo queria testar o brinquedão. Com pedras de 150 quilos, o rei inglês devastou as muralhas e tomou o castelo, em um cerco como o do infográfico destas páginas. Só aí aceitou a rendição. O terror vivido pelos defensores do castelo de Stirling não era algo novo. O sentimento havia sido experimentado há pelo menos 2 400 anos, com a invenção das pioneiras armas de sítio ou de cerco – categoria que tem na catapulta sua representante mais célebre, mas inclui ainda onagros, oxibeles, trebuchets e outras engenhocas construídas de acordo com a criatividade de inúmeros povos da Antiguidade e da Idade Média. No terreno militar, o impacto dessa novidade literalmente não deixou pedra sobre pedra. Até então, os exércitos eram formados apenas pela infantaria (tropas que avançam a pé) e a cavalaria (tropas que avançavam a cavalo e, hoje, em veículos blindados). A partir das catapultas, eles passaram a contar também com uma terceira arma: a artilharia, especializada no lançamento de projéteis a grande distância. Simplesmente não havia mais cidade – não importava o tamanho do muro – que pudesse resistir a um ataque persistente. E, quanto maior, melhor: engenhos gigantescos como os trebuchets da página anterior fizeram com que o pânico tomasse conta dos defensores como nenhuma outra arma. Afinal, tomar uma pedrada enorme ou ser varado por uma superflecha desmoronava qualquer um.

PAI DESCONHECIDO
Em termos técnicos, as armas de cerco aproveitavam os princípios de funcionamento de duas armas muito antigas, mas também muito eficientes: o arco e a funda, espécie de corda para atirar pedras. Em diferentes momentos históricos, foi o aprimoramento e a junção das duas invenções que permitiu o surgimento da artilharia. A partir delas dá para estabelecer duas linhas evolutivas para contar essa história (veja detalhes no infográfico abaixo). A primeira, que aconteceu no Ocidente, foi a que originou a catapulta propriamente dita. Com significado em grego indicando algo como “jogar contra”, a catapulta foi uma das poucas armas da Antiguidade com local e data de nascimento registrados: a cidade-Estado grega de Siracusa, na ilha da Sicília (atual Itália), por volta de 399 a.C. Mas há um mistério. O artesão que bolou a catapulta permanece desconhecido. Uma das explicações é que, provavelmente, o engenheiro que concebeu a peça era um escravo. E escravos não podiam levar a fama. O motivo da inovação, como sempre, era a mais pura e simples das necessidades: grana. Alguns anos antes, Dionísio 1º, rei que governava Siracusa, havia negociado muito a contragosto o pagamento de terras e dinheiro para evitar que os inimigos cartagineses invadissem a cidade. Por debaixo dos panos, o tirano resolveu tomar de volta o que julgava ser seu. Para isso, transformou seus domínios em um dos maiores centros de tecnologia militar. Graças ao lucro com o comércio de trigo e azeite, em pouco tempo Dionísio conseguiu arrebanhar os melhores artesãos militares do Mediterrâneo. “O rei circulava diariamente entre os inventores, conversava em tom ameno com eles e recompensava os mais esforçados com presentes e convites para banquetes”, relatou o historiador grego Diodorus Siculus, ele próprio um siciliano. Da comilança e dos agradinhos resultaram numerosas máquinas de guerra. A catapulta estava entre elas e fez sua estréia no bem-sucedido cerco à cidade cartaginesa de Motya, que caiu em 398 a.C. Do sucesso veio a multiplicação do espanto. Em sua obra Moralia, o filósofo grego Plutarco descreve o terror do rei espartano Arquidamos 3º (360 a.C.–338 a.C.) quando viu a catapulta demonstrada pela primeira vez. “Ó, Héracles! A bravura em batalha foi destruída!”, teria dito o rei, referindo-se ao fato de que uma arma daquelas poderia acabar com o mais valoroso dos guerreiros, sem que ele tivesse chance de fazer nada. Não era pouca coisa o momento histórico que Arquidamos presenciava: pela primeira vez, o homem podia usar algo que ia muito além da própria força física para guerrear. Quem vencia a guerra, a partir de então, era a máquina, não mais o homem. Os gregos curtiram a brincadeira. Por volta de 330 a.C., ou seja, apenas 70 anos após a invenção da catapulta, o arsenal de Atenas já incluía uma variedade de requintados modelos impulsionados por sistemas de torção que ampliavam o alcance do projétil. Armas como o oxibele nasceram a partir do mesmo mecanismo. Capitalizado pelos romanos, o surto inventivo grego foi copiado e melhorado. Mudanças nos materiais, no design e no próprio uso tornaram a artilharia mais do que uma arma selvagem. O passo definitivo para transformar o uso das catapultas em uma ciência foi o desenvolvimento da balística – a arte por meio da qual os artilheiros conseguiam, graças a cálculos matemáticos, direcionar com razoável precisão os projéteis que saíam de suas máquinas. Catapultas e similares continuaram a ser utilizados até o início da Idade Média. Isso até os europeus tomarem contato com a segunda linha evolutiva das armas de cerco, desenvolvida no Oriente, mais precisamente dentro da tradição chinesa. Utilizando o mesmo princípio da alavanca, os chineses, desde 400 a.C. (a mesma época do desenvolvimento da catapulta na Grécia), faziam uso de uma espécie de gangorra gigante com uma funda na ponta para atirar pedras. O invento, chamado de hseun fang (“furacão”), utilizava a força de cerca de 10 homens, que puxavam um dos braços da alavanca com cordas. Com o tempo, os chineses se ligaram que não era necessário ter pessoas puxando um dos lados da gangorra. Bastava colocar um contrapeso para que o efeito fosse o mesmo. Ao longo dos séculos, o poderoso engenho atravessou a Ásia. No ano de 1169, o estudioso islâmico al-Tarsusi descreveu em um manual militar uma máquina que usava o mecanismo do contrapeso, chamada entre os árabes de manjaniq.

QUERIDINHOS DO REI
 Na mesma época, o invento, que ficaria conhecido no Ocidente com o nome de trebuchet, foi construído por forças cristãs que combatiam na Palestina durante a 3a Cruzada (1189-1192). O comandante da expedição, o rei inglês Ricardo Coração de Leão, tinha uma adoração especial por dois enormes trebuchets apelidados por ele de Catapulta de Deus e Vizinho Mau, que abriram enormes brechas na fortaleza da cidade de Acre.

 A partir das Cruzadas, o trebuchet cresceu e apareceu por toda a Europa, onde participou de alguns dos momentos mais criativos da Idade Média. Utilizando as enormes máquinas de cerco, os atacantes jogavam animais e cadáveres infectados com peste para dentro das muralhas, uma guerra biológica primitiva. Há também relatos de negociadores sendo enviados vivos – via trebuchet – de volta às cidades sitiadas, numa demonstração de que as negociações haviam falhado. O predomínio do engenho só seria ameaçado com a chegada do canhão. O primeiro surgiu em 1325. Por cerca de 100 anos, eles foram secundários em relação ao trebuchet. Não era fácil carregá-los, e seu grau de imprecisão era alto. Conforme a tecnologia foi se aprimorando, a relação se inverteu. “O marco foi o ano de 1449, data de criação de um canhão gigantesco chamado Mons Meg, que enviava uma bola de 150 quilos a 266 metros de distância. A partir de então, o poder de fogo do canhão e do trebuchet se equiparou”, afirma o especialista em catapultas Michael Farnworth, autor do ensaio Inventive Steps in Trebuchet Evolution (“Passos Inovadores na Evolução do Trebuchet”). Daquele ponto em diante, a importância do trebuchet foi gradualmente diminuindo. Em 1550, gravuras medievais ainda mostravam o engenho operando ao lado de canhões. O último uso documentado é bem posterior, de 1779, durante uma batalha em Gibraltar. Na ocasião, o Exército inglês aproveitou a trajetória de parábola dos projéteis lançados do trebuchet para atingir alvos inacessíveis aos canhões.

A evolução das armas de fogo aposentou as catapultas. Isso não impediu sua última glória. Durante a 1a Guerra Mundial (1914-1918), em meio à batalha de trincheiras, os homens que arriscavam suas vidas atirando granadas rumo às posições inimigas reinventaram a roda. Utilizando molas e madeira, construíram pequenas catapultas, capazes de lançar as granadas sem que fosse preciso se expor ao fogo inimigo. Uma demonstração de que a simplicidade e eficiência das armas de cerco ainda podiam causar o que sempre causaram: terror nos inimigos.
MUNIÇÃO
O alimento preferido de catapultas e trebuchets eram as pedras. Mas a criatividade medieval incluía animais mortos – o mais aerodinâmico era o porco – e cadáveres putrefatos.
TORRE DE ASSALTO
Usada desde os romanos, a torre de assalto era um dos meios mais eficazes de tomar as muralhas. Era uma torre móvel, que colava na muralha inimiga e baixava uma porta levadiça para a saída dos atacantes. Era coberta com couro e molhada para evitar o fogo.
TREBUCHET
 Primo turbinado da catapulta, o trebuchet podia chegar a 16 metros de altura, algo como um prédio de 6 andares. Só o braço da arma tinha 12 metros de extensão.

CONTRA ATAQUE
Se os invasores bobeassem, os defensores abriam de surpresa as portas do castelo e faziam um contra-ataque para tentar destruir os trebuchets. Ou então saíam à noite, para tentar quebrar o que pudessem.
PROTEÇÃO
Alvo cobiçado pelos inimigos, um trebuchet exigia vigilância constante. Em defesa aos ataques de cavalaria, era comum os invasores posicionarem troncos afiados, os piques. Uma guarnição ficava perto para evitar sabotagens.
MONTAGEM
Construído em pleno palco de cerco, um trebuchet vinha com grandes toras de madeira desmontadas em carroças. Para colocar a máquina de pé, engenheiros demoravam pelo menos duas semanas.

CRONOLOGIA

ESTICA E EMPURRA
Originadas da funda, estas armas de cerco nasceram na China

FUSTÍBALO (500 a.C.)
Extensão ainda maior do braço humano, utilizando um pau e mantendo uma funda na ponta. Tornou-se uma arma popular no Exército romano.

FUNDA (Paleolítico)
Suspeita-se que esta arma tenha mais de 11 mil anos. O que ela faz é aumentar o tamanho do braço humano, fazendo com que as pedras voem mais longe.
 

ONAGRO (100 a.C.)
Funciona do mesmo modo que uma catapulta de torção, exceto por um detalhe. Em vez de possuir uma “colher” no final do braço, o onagro tinha uma funda na ponta da arma.
Ficheiro:Roman Onager.jpg
HSEUN FANG (400 a.C.)
Funcionando como uma alavanca, esta arma arremessa pedras por meio de um superbraço de madeira, puxado com cordas por cerca de 10 homens.

TREBUCHET (300 a.C.)
É o sistema de alavanca vitaminado e redesenhado: o ponto de apoio deslocado para a frente do braço aumenta o alcance e o contrapeso evita o uso da força humana.

TOrção (por volta de 400 a.C.)
Usado tanto na China quanto na Europa, o mecanismo de torção multiplica o alcance das armas de cerco. A idéia básica é passar uma corda pelo braço da catapulta (1) e torcê-la (2). Quando o braço é liberado, a corda retorcida o faz mover-se velozmente, lançando a pedra em cima do inimigo (3).

ESTICA E PUXA
Originadas do Arco, estas armas de cerco nasceram na China

ARCO (Paleolítico) Evidências arqueológicas sugerem que o arco já era utilizado 11 mil anos atrás. A estrutura de madeira é flexionada por uma corda que, ao ser solta, transfere a energia.

GASTRAFETE (400 a.C.)
Usando a barriga como ponto de apoio, o arqueiro fica com as mãos livres para puxar mais a corda, aumentando a tensão do arco e fazendo a flecha ganhar força.

OXIBELE (375 a.C.)
Esta arma lança flechas tamanho-família utilizando uma espécie de roda dentada (igual à dos brinquedos movidos à corda) para puxar o arco.

CATAPULTA DE ARCO (400 a.C.)
O princípio do arco ganhou aqui uma nova utilidade: impulsionar um braço de madeira, uma espécie de colher gigantesca que atirava pedras.

BALISTA (100 a.C.)
Filha do oxibele, a balista romana é ainda maior. Para simular a tensão do arco, os romanos fizeram um sistema de torção duplo, com dois feixes de cordas.

CATAPULTA de TORÇÃO (350 a.C.)
Um sistema de torção move o braço desta catapulta. O braço da arma fica enrolado em um feixe de cordas bem torcidas – e cheias de energia.

Fonte
http://super.abril.com.br/historia/mae-todas-guerras-447270.shtml?utm_source=redesabril_jovem&utm_medium=facebook&utm_campaign=redesabril_super

10 de mar. de 2011

Cruz Vermelha se prepara 'para o pior' no confronto líbio



Para organização, país vive guerra civil. Tropas de Kadafi recuperam Zawiya

Bombardeios na cidade de Sidra, perto de Ras Lanuf, um dos principais pontos de confronto entre as tropas de Kadafi e os rebeldes líbios
Bombardeios na cidade de Sidra, perto de Ras Lanuf, um dos principais pontos de confronto entre as tropas de Kadafi e os rebeldes líbios (Marco Longari/AFP)
"Sempre temos que nos preparar para o pior. Nesse caso específico, temos que nos preparar para uma intensificação dos combates", avisou a Cruz Vermelha
O presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), Jakob Kellenberger, afirmou nesta quinta-feira que a organização está pronta para os piores cenários possíveis na Líbia, país que mergulhou num brutal conflito entre as forças do ditador Muamar Kadafi e os rebeldes que tentam derrubar seu regime. "Temos que nos preparar para o pior", declarou Kellenberger em Genebra. Na opinião ele, o uso do termo "guerra civil" é adequado para classificar o que acontece no país.

"Sempre temos que nos preparar para o pior. Nesse caso específico, temos que nos preparar para uma intensificação dos combates", avisou. "Neste momento, creio que temos um conflito armado internacional." Também nesta quinta, o regime do coronel Muamar Kadafi lançou novos ataques aéreos contra a região estratégica de Ras Lanuf, cidade petroleira tomada pelos insurgentes. A região é considerada um ponto de importância estratégica na luta pelo controle do território líbio.

'Calma' - De acordo com uma testemunha ouvida pela agência de notícias France-Presse, a cidade de Zawiya, 40 quilômetros a oeste de Trípoli, voltou ao controle das forças leais a Kadafi. Depois de vários dias de combates violentos com os insurgentes, "a cidade está sob controle do Exército", afirmou por telefone um morador. "Os combates terminaram na noite passada. Nesta quinta, a situação é calma. Estou aproveitando para deixar a cidade com a minha família", completou.

Zawiya foi alvo de ataques em série pelas forças de Kadafi nos últimos dias. Os rebeldes haviam tomado o controle da cidade, onde muitos militares têm residência, pouco depois do início da revolta contra o ditador, em 15 de fevereiro. Zawiya era até o momento o reduto mais próximo da capital sob controle dos insurgentes. Na quarta, a rede britânica BBC anunciou que três jornalistas foram detidos e agredidos por forças do governo nos arredores da cidade. Os três já foram soltos.

(Com agência France-Presse)

27 de jan. de 2009

QUEBRA DA TRÉGUA EM GAZA

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Depois de quebra de trégua, Israel faz ataque aéreo à Faixa de Gaza
Segundo Hamas e fontes médicas, duas pessoas ficaram feridas.
Antes, militar israelense morreu vítima de bomba palestina.
Do G1, com agências internacionais

Um ataque aéreo israelense atingiu uma motocicleta no sul da Faixa de Gaza nesta terça-feira (27), ferindo duas pessoas, informaram o grupo Hamas e autoridades médicas palestinas.

Mais cedo, o Exército de Israel confirmou que um soldado morreu e três ficaram feridos vítimas de uma bomba palestina próximo à fronteira do país com a Faixa de Gaza.

Os incidentes ocorrem nove dias depois do início do cessar-fogo decretado unilateralmente por Israel na região palestina, depois de três semanas de ataques que mataram mais de 1.300 pessoas.

É a primeira morte do lado israelense desde o final da ofensiva de 22 dias na Faixa de Gaza

18 de jan. de 2009

FINALMENTE COMEÇA O CESSAR FOGO EM GAZA

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Começa o cessar-fogo de Israel no terrirório palestino
Expectativa é uma reação do movimento islamita Hamas.
Ataques à Faixa de Gaza mataram mais de mil em 22 dias.
O gabinete israelense aprovou, neste sábado (17), a trégua na guerra contra o Hamas a partir das 2h locais deste domingo (22h deste sábado, no horário de Brasília). O anúncio foi feito pelo premiê de Israel, Ehud Olmert.

Apesar da decisão, as autoridades israelenses afirmaram que querem manter as tropas em Gaza e manter o bloqueio do território.

A secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, saudou o cessar-fogo declarado por Israel, em acordo com o governo norte-americano, e expressou sua esperança de que "todas as partes" cessem imediatamente seus ataques e ações hostis.

Segundo Olmert, Israel alcançou todos seus objetivos de sua ofensiva em Gaza, mas o exército israelense permanecerá no momento posicionado em Gaza e arredores. "Nossos objetivos, da maneira que definimos quando lançamos a operação, foram totalmente atingidos e muito além. O Hamas recebeu um duro golpe", enfatizou.

A permanência das tropas israelenses em Gaza preocupa o presidente palestino Mahmud Abbas. De acordo com um porta-voz de Abbas, a decisão de Israel de decretar unilateralmente um cessar-fogo na Faixa de Gaza deve ser acompanhada com um acordo de paz formal e uma retirada completa de suas tropas.

Hamas

No momento, a expectativa é uma reação do movimento islamita Hamas, que rejeitou na noite deste sábado a trégua unilateral de Israel, em acordo com o governo norte-americano. "O inimigo sionista deve cessar todas suas agressões, retirar-se completamente da Faixa de Gaza, suspender o bloqueio e abrir as fronteiras. Não aceitaremos a presença de um único soldado em Gaza", declarou o porta-voz do Hamas, Fawzi Barhum.

Às 2h (local), vai iniciar o cessar-fogo, mas continuaremos posicionados em Gaza e seus arredores. Se nossos inimigos decidirem atacar novamente, o Exército israelense vai-se considerar livre para responder com força", reforçou Olmert.

Cúpula

Ehud Olmert agradeceu a ajuda do presidente do Egito, Hosni Mubarak, ao organizar uma reunião de cúpula, neste domingo (18), que deve analisar a situação no território.

O Egito vai reunir neste domingo (18) dirigentes internacionais para discutir o conflito em Gaza. Em discurso transmitido pela televisão pública, o presidente egípcio Hosni Mubarak pediu a Israel que ponha fim "imediatamente" e "sem condições" a seu ataque e que retire todas as suas forças do território palestino.

O presidente francês Nicolas Sarkozy vai co-presidir a cúpula junto com o presidente egípcio. "Sarkozy se reuniu, neste sábado, com o presidente egípcio, Hosni Mubarak, que o convidou a co-presidir, no âmbito da iniciativa franco-egípcia, a cúpula internacional que acontecerá no domingo, 18 de janeiro, em Sharm el-Sheikh, e à qual assistirão, entre outros, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown", de acordo com nota oficial da França.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também deverá estar presente por convite de Mubarak. Em sua visita ao Líbano, Ban afirmou seu interesse em participar na cúpula internacional prevista para este domingo.

A Alemanha já confirmou a realização da cúpula e a presença da chanceler Angela Merkel, assim como o presidente do governo espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, e o rei da Jordânia, Abdullah II.Do G1, com agências internacionais

13 de jan. de 2009

EXTREMISMO E RAZÕES DE ESTADO EM UMA GUERRA SEM FIM




Israelenses versus palestinos. Muitos opinam, alguns polemizam, mas uma boa parcela das pessoas não compreende exatamente as origens desse conflito. A maioria das opiniões a respeito da questão geralmente se baseia em posições ideológicas, crenças religiosas ou apaixonadas ligações étnicas com alguma das partes envolvidas. Qualquer discussão envolvendo o tema gera reações apaixonadas. De um lado há os que defendem as ofensivas de Israel, em nome da "defesa preventiva" e da "guerra contra o terror", combatendo os radicais que não reconhecem o Estado judeu, lançando mísseis contra cidades ou planejando ataques terroristas. Do outro estão aqueles que apontam o caráter da longa ocupação israelense nos territórios palestinos e a face pouco humanitária, para não dizer cruel, que o governo dá a essa ocupação, além da inegável superioridade militar. Mas mesmo as avaliações menos comprometidas são capazes de reconhecer injustiças.

A mais recente ofensiva na Faixa de Gaza acirrou os debates a respeito do tema e pela primeira vez parece ter despertado a desaprovação mundial das ações unilaterais do governo israelense.

A História muitas vezes é recuperada, quase sempre com erros grosseiros de interpretação ou manipulações propositais, para justificar guerras longas ou conflitos pontuais. Uma estratégia com conclusões geralmente equivocadas. Os que condenam Israel recuperam o passado recente, fazendo comparações entre o tratamento dos nazistas em relação aos judeus com o de Israel em relação aos palestinos. Já os que desaprovam as ações palestinas e apóiam Israel apelam para o anti-semitismo, afirmando que as agressões de países árabes e a ação de radicais palestinos têm em sua raiz o mesmo objetivo que o Holocausto, ou seja, a aniquilação do povo judeu. Muitas vezes a simples defesa dos palestinos é apontada como um ato anti-semita. Ambas as analogias são injustas, em que pese a semelhança do sofrimento das populações civis nas duas situações históricas distintas.

O que não parece claro para muitos é que tanto do lado de Israel quanto do lado palestino e de países árabes escondem-se interesses e desejos muito mais complexos. Nessa complexidade reúnem-se a natureza da aliança entre Israel e os EUA, as muitas faces do sionismo, o uso político do apoio da Síria e do Irã à causa palestina, cujas intenções parecem pouco afeitas a uma solução pacífica, entre outras questões. Isso sem falar no extremismo em ambos os lados. Do lado de Israel pode-se apontar a quase inexistência de uma possibilidade de diálogo dos partidos de ultradireita, além de exigências que tornam impossível o estabelecimento de um estado palestino soberano. Nesse cenário, qualquer alusão a um "processo de paz" é meramente uma formalidade linguística.

Do lado palestino, as ações de grupos radicais que incitam a violência como único meio de resistir à ocupação, além do velho discurso de erradição do Estado judeu pelos grupos extremistas como o Hamas, geram obstáculos que travam o caminho para uma paz duradoura. Esta mesma postura dos radicais é usada em Israel para justificar suas ações militares, quase sempre com um saldo sangrento do lado mais fraco. Soma-se a isso a incapacidade dos líderes da Autoridade Palestina de estabelecerer uma união política com o único objetivo de criar um Estado que possa coexistir em relativa paz com Israel.

O muro que separa israelenses e palestinos na Cisjordânia, tomando grande parte do território originalmente destinado à criação do estado àrabe, é mais uma face das polêmicas ações de Israel para supostamente combater ações terroristas. Razões de Estado que sequer levam em conta as resoluções da ONU, recorrentemente ignoradas por Israel com respaldo norte-americano, a respeito da região. O muro da Cisjordânia, a questão das colônias israelenses em territórios palestinos e as constantes violações dos direitos humanos por parte de Israel reforçam a tese dos que afirmam que as autoridades israelenses na realidade ainda não consideram a hipótese da efetiva criação de um Estado palestino.

Como se vê, a questão é mais profunda do que simplesmente a defesa apaixonada de um dos lados. Apontar a brutalidade da última ofensiva militar israelense em Gaza, cujo saldo passa de 900 mortos, não significa apoiar ações extremistas de grupos que resistem a um acordo de paz. Reconhecer o direito de Israel de defender-se de ataques de milicianos palestinos também não deve resultar em um apoio incondicional a uma ofensiva cujo saldo de mortos não pára de crescer, sobretudo entre civis.

Israel parece irredutível em seu objetivo de extirpar o Hamas, mesmo que o "efeito colateral" resulte em centenas de palestinos mortos. Fala-se em bombas de precisão, mas frequentemente os alvos atingem escolas, hospitais e instalações da ONU. Ignorar que o imenso número de civis mortos em Gaza não seja resultado de um massacre e falar em "efeito colateral" não é apenas um erro, mas um ato vergonhoso. O histórico das ações militares indica que as bombas que caem sobre Gaza ajudarão a fertilizar o desejo de vingança por parte dos palestinos, minimizando ainda mais as chances de a região deixar de ser um campo de batalha. Ataques unilaterais com muitas baixas entre civis são um terreno propício para o radicalismo que brota das populações palestinas mais jovens, acuadas e sem perspectiva. Ao se comparar com outras ofensivas históricas deste longo conflito, as previsões não são nada tranquilas. Aos envolvidos ou não só resta torcer para que a paz venha ou que haja sensatez a quem está no comando. É o que o mundo espera.
Por Edson Pedro, Redação Yahoo! Brasil

8 de jan. de 2009

SAIBA O QUE É O HAMAS?


O Hamas

Em árabe, a palavra quer dizer zelo e serve de acrônimo para a sigla Movimento de Resistência Islâmica. Seu berço ideológico é um grupo árabe dos anos 40, fundado no Egito, chamado Irmandade Muçulmana. Durante sua existência, a Irmandade misturou o discurso nacionalista com o religioso, em oposição ao nacionalismo laico que daria origem aos partidos Baath na Síria, Iraque e outros países dali. A Irmandade atentou contra a vida do presidente egípcio Gamal Abdul I-Nasser e assassinou o sucessor, Anwar Sadat.

O Hamas nasceu em 1988, nos territórios ocupados por Israel, como braço armado da Irmandade pouco antes da primeira Intifada. Até aquela Intifada, havia sido financiado por Israel. Estimulado por Israel. A crença era de que, incentivando um movimento religioso, seria construída uma forte oposição à Organização pela Libertação da Palestina (OLP) de Yasser Arafat. A crença dos líderes políticos em Israel é que, se estivessem ocupados com religião, os palestinos não lutariam. Era outro mundo e outro tempo. Antes do acordo de Oslo, antes de Yitzhak Rabin e Arafat apertarem suas mãos nos jardins da Casa Branca. Muito antes de o Fatah, nascido da OLP, ser o aliado com quem a paz parece mais plausível.

Em 2003, antes de chegar ao governo, o orçamento anual do Hamas girava entre 40 a 70 milhões de dólares, angariados por caridades no ocidente entre árabes no exílio e governos vários no Golfo Pérsico, principalmente a Arábia Saudita. Investiam quase tudo em creches, escolas, hospitais e mesquitas caras à enorme parcela pobre da população. Sua segunda atividade eram os serviços de inteligência, uma espécie de polícia secreta que ainda hoje persegue palestinos acusados de cooperar com o governo israelense e blasfemar contra o Coorão. Bate, tortura, às vezes mata.

O braço terrorista, embora mais famoso, sempre recebeu pouco dinheiro. É barato.

A base que elegeu o Hamas para o governo palestino, em 2006, veio por intermédio de fisiologismo político – aquele que oferece à população os serviços que o Estado não garante – e a boa e velha exploração do ódio ao inimigo externo. O muito citado e pouco lido documento que serve de doutrina ao grupo, assinado em 18 de agosto de 1988, não prega apenas que haverá ‘um dia do Julgamento Final no qual muçulmanos matarão todos os judeus, que se esconderão atrás de pedras e árvores, e as pedras e árvores acusarão ó, muçulmano, cá atrás está um judeu’. Baseado numa ideologia confusa, racista e com uma boa queda por teorias conspiratórias, o mesmo documento enxerga no Sionismo o responsável por vários dos males do mundo. Dentre tais males, os ideólogos do Hamas citam a Revolução Francesa, a Revolução Russa de 1917, o Rotary Club e a Maçonaria.
Trecho obtido do blog: Pedro Doria

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