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5 de mar. de 2014
10 de set. de 2011
12 de abr. de 2011
6 de set. de 2010
Veja como estão os pontos históricos do 7 de setembro em São Paulo
Vias da cidade 'presenciaram' chegada de Dom Pedro I em 1822.
Na época, município tinha poucas semelhanças com a atual metrópole.
Paulo Toledo Piza
Veja galeria de fotos com os pontos de 7 de setembro ontem e hoje

'Colina do Ipiranga', de Miguelzinho Dutra (esq), e o 'Monumento à Independência', suposto local onde ocorreu o grito (Foto: Reprodução/Museu Paulista e Paulo Toledo Piza/G1)
Que o grito de independência foi dado às margens do riacho do Ipiranga, na Zona Sul de São Paulo, todos sabem. O que poucos paulistanos têm ciência é de que diversas vias na capital paulista “presenciaram” a passagem do príncipe regente Dom Pedro I nos idos de agosto e setembro de 1822.
Veja galeria de fotos com os pontos de 7 de setembro ontem e hoje
Naquela época, São Paulo era uma pequena cidade com pouco mais de 6 mil habitantes e bem diferente da atual metrópole de 11 milhões de moradores. O perímetro urbano da capital era delimitado pelo Rio Tamanduateí (onde atualmente está localizado o Parque Dom Pedro), o Vale do Anhangabaú e as atuais regiões da Rua 25 de Março e do bairro da Liberdade, de acordo com relatos que estão no Museu Paulista.
Nessa pequena cidade, Dom Pedro I chegou no dia 25 de agosto de 1822, após cobrir, em 12 dias de viagem, uma distância de 634 km desde o Rio de Janeiro (veja mapa acima). O príncipe e sua comitiva atravessaram uma pequena ponte sobre o Rio Tamanduateí e caminharam por uma região arborizada onde atualmente está localizado o Parque Dom Pedro.

De lá, seguiram por uma pequena via onde hoje fica a Avenida Rangel Pestana até o prédio que servia como sede do governo de São Paulo, o Colégio dos Jesuítas. O edifício, que foi confiscado pelo governo no século XVIII, abrigou o príncipe durante os 11 dias em que ficou na cidade, a trabalho. No dia 5 de setembro, ele decidiu ir a Santos, na Baixada Santista.
“Na manhã, enveredou o príncipe Dom Pedro com sua guarda de honra (...) pela tortuosa Rua do Lavapés, tomando assim o velho Caminho do Mar, dos mais antigos da terra brasileira”, diz o historiador Eduardo Canabrava Barreiros, em artigo intitulado “Itinerário da Independência”. A rua, que mantém hoje a nomenclatura original, era usada como porta de saída da capital ao litoral.

Após dois dias, na madrugada de 7 de setembro, o príncipe subiu a Serra do Mar em direção a São Paulo. Ao chegar às margens do Riacho do Ipiranga, Dom Pedro encontrou um mensageiro que lhe trazia uma carta . O documento, assinado por José Bonifácio, patriarca da Independência, e pela princesa Maria Leopoldina, informava que o príncipe havia perdido a condição de regente do Brasil.
Relatos históricos indicam que Dom Pedro, após ler a carta, refletiu por alguns instantes e, em seguida, afirmou: “É tempo... Independência ou morte! Estamos separados de Portugal.”

'Dom Pedro I', de Benedito Calixto (esq); no destaque, local onde hoje fica o Parque Dom Pedro (Foto: Reprodução/Museu Paulista e Paulo Toledo Piza/G1)
O local exato onde ocorreu o “grito do Ipiranga”, porém, é incerto. “Precisaria de um estudo minucioso para descobrir o real local”, disse a historiadora Miyoko Makino, do Museu Paulista. “Mas seria nas imediações de onde está o ‘Monumento à Independência’”, completou.
Do Ipiranga, que não fazia parte do perímetro urbano paulistano, o príncipe seguiu para a sede do governo paulista, onde festejou o fim da subserviência do Brasil perante Portugal. “Lá, criou a música do Hino à Independência”, lembrou Miyoko.
A celebração durou três dias. No dia 10 de setembro, retomou viagem ao Rio de Janeiro, onde chegou após cinco dias de cavalgada. Na capital fluminense, foi nomeado imperador do Brasil. Mas isso é história para outra ocasião.
Na época, município tinha poucas semelhanças com a atual metrópole.
Paulo Toledo Piza
Veja galeria de fotos com os pontos de 7 de setembro ontem e hoje
'Colina do Ipiranga', de Miguelzinho Dutra (esq), e o 'Monumento à Independência', suposto local onde ocorreu o grito (Foto: Reprodução/Museu Paulista e Paulo Toledo Piza/G1)
Que o grito de independência foi dado às margens do riacho do Ipiranga, na Zona Sul de São Paulo, todos sabem. O que poucos paulistanos têm ciência é de que diversas vias na capital paulista “presenciaram” a passagem do príncipe regente Dom Pedro I nos idos de agosto e setembro de 1822.
Veja galeria de fotos com os pontos de 7 de setembro ontem e hoje
Naquela época, São Paulo era uma pequena cidade com pouco mais de 6 mil habitantes e bem diferente da atual metrópole de 11 milhões de moradores. O perímetro urbano da capital era delimitado pelo Rio Tamanduateí (onde atualmente está localizado o Parque Dom Pedro), o Vale do Anhangabaú e as atuais regiões da Rua 25 de Março e do bairro da Liberdade, de acordo com relatos que estão no Museu Paulista.
Nessa pequena cidade, Dom Pedro I chegou no dia 25 de agosto de 1822, após cobrir, em 12 dias de viagem, uma distância de 634 km desde o Rio de Janeiro (veja mapa acima). O príncipe e sua comitiva atravessaram uma pequena ponte sobre o Rio Tamanduateí e caminharam por uma região arborizada onde atualmente está localizado o Parque Dom Pedro.
Maquete da cidade de São Paulo antiga (esq.) e a metrópole atual (Foto: Reprodução/Museu Paulista e Paulo Toledo Piza/G1)
De lá, seguiram por uma pequena via onde hoje fica a Avenida Rangel Pestana até o prédio que servia como sede do governo de São Paulo, o Colégio dos Jesuítas. O edifício, que foi confiscado pelo governo no século XVIII, abrigou o príncipe durante os 11 dias em que ficou na cidade, a trabalho. No dia 5 de setembro, ele decidiu ir a Santos, na Baixada Santista.
“Na manhã, enveredou o príncipe Dom Pedro com sua guarda de honra (...) pela tortuosa Rua do Lavapés, tomando assim o velho Caminho do Mar, dos mais antigos da terra brasileira”, diz o historiador Eduardo Canabrava Barreiros, em artigo intitulado “Itinerário da Independência”. A rua, que mantém hoje a nomenclatura original, era usada como porta de saída da capital ao litoral.
'Inundação', de Benedito Calixto (esq.) e o Rio Tamanduateí hoje (Foto: Colina do Ipiranga”, de Miguelzinho Dutra)
Após dois dias, na madrugada de 7 de setembro, o príncipe subiu a Serra do Mar em direção a São Paulo. Ao chegar às margens do Riacho do Ipiranga, Dom Pedro encontrou um mensageiro que lhe trazia uma carta . O documento, assinado por José Bonifácio, patriarca da Independência, e pela princesa Maria Leopoldina, informava que o príncipe havia perdido a condição de regente do Brasil.
Relatos históricos indicam que Dom Pedro, após ler a carta, refletiu por alguns instantes e, em seguida, afirmou: “É tempo... Independência ou morte! Estamos separados de Portugal.”
'Dom Pedro I', de Benedito Calixto (esq); no destaque, local onde hoje fica o Parque Dom Pedro (Foto: Reprodução/Museu Paulista e Paulo Toledo Piza/G1)
'Dom Pedro I', de Benedito Calixto (esq); no destaque, local onde hoje fica o Parque Dom Pedro (Foto: Reprodução/Museu Paulista e Paulo Toledo Piza/G1)
O local exato onde ocorreu o “grito do Ipiranga”, porém, é incerto. “Precisaria de um estudo minucioso para descobrir o real local”, disse a historiadora Miyoko Makino, do Museu Paulista. “Mas seria nas imediações de onde está o ‘Monumento à Independência’”, completou.
Do Ipiranga, que não fazia parte do perímetro urbano paulistano, o príncipe seguiu para a sede do governo paulista, onde festejou o fim da subserviência do Brasil perante Portugal. “Lá, criou a música do Hino à Independência”, lembrou Miyoko.
A celebração durou três dias. No dia 10 de setembro, retomou viagem ao Rio de Janeiro, onde chegou após cinco dias de cavalgada. Na capital fluminense, foi nomeado imperador do Brasil. Mas isso é história para outra ocasião.
1 de mai. de 2010
MONUMENTO A INDEPENDÊNCIA DO BRASIL
O Monumento à Independência do Brasil, também chamado de Monumento do Ipiranga ou Altar da Pátria, é um conjunto escultórico em granito e bronze. Localiza-se na cidade de São Paulo, às margens do Riacho do Ipiranga, no sítio histórico onde D. Pedro I proclamou a independência do país, em 7 de setembro de 1822.Foi idealizado e executado pelo escultor italiano Ettore Ximenes, por ocasião do primeiro centenário da Independência, e inaugurado ainda incompleto em 1922, tendo sido finalizado quatro anos mais tarde. É parte integrante do conjunto urbanístico do Parque da Independência, onde se encontra também o edifício-monumento erguido em 1890, que hoje abriga o Museu Paulista, além da Casa do Grito.
Projeto do italiano Ettore Ximenes, com 132 peças de bronze; o monumento só ficou completamente pronto quatro anos mais tarde, com a inclusão de alguns painéis de episódios vinculados ao processo de independência, como a Revolução Pernambucana de 1817 e a Inconfidência Mineira de 1789; e dos principais articuladores do movimento, como José Bonifácio de Andrada e Silva e Hipólito da Costa.
Em 1952, foi acesa a pira do Altar da Pátria e construída no interior do monumento a Capela Imperial, que contém os despojos da Imperatriz Leopoldina e de D. Pedro I.
Em 2000, foram criados novos acessos ao interior da capela e construídos sanitários, áreas de apoio e a escada monumental. Na mesma época, grupos escultórios do monumento foram restaurados e o painel em alto relevo "Independência ou Morte" recebeu intervenção interna e externa.
Em sua cripta está instalada a Capela Imperial, construída 1952 para abrigar os restos mortais de D. Pedro I, de sua primeira esposa D. Leopoldina e também de sua segunda esposa Amélia de Leuchtenberg, todos trasladados de Lisboa. O conjunto é tombado nas três esferas do poder executivo.
Projeto do italiano Ettore Ximenes, o monumento só ficou completamente pronto quatro anos mais tarde, com a inclusão de alguns painéis de episódios vinculados ao processo de independência, como a Revolução Pernambucana de 1817 e a Inconfidência Mineira de 1789; e dos principais articuladores do movimento, como José Bonifácio de Andrada e Silva e Hipólito da Costa.
Em 1952, foi acesa a pira do Altar da Pátria e construída no interior do monumento a Capela Imperial, que contém os despojos da Imperatriz Leopoldina e de D. Pedro I.
Em 2000, foram criados novos acessos ao interior da capela e construídos sanitários, áreas de apoio e a escada monumental. Na mesma época, grupos escultórios do monumento foram restaurados e o painel em alto relevo "Independência ou Morte" recebeu intervenção interna e externa.
Fonte:
Pt.wikipedia.org
museudacidade.sp.gov.br/independencia-imagens.php
Fotos:
museudacidade.sp.gov.br/independencia
Thiago Sousa, Alemiro Jr.,
Victor Hugo Mori,
Eli Kaisaka
commons.wikipedia.org
Formatação e Pesquisa: Helio Rubiales
9 de dez. de 2009
RÚSSIA INSISTE QUE DETÉM OSSO PERFURADO DE HITLER

(Foto: Reuters)
Autoridades de Moscou voltaram a insistir que detêm restos do crânio do líder nazista Adolf Hitler. O fragmento de 10 centímetros possui um furo de bala e consiste na única evidência documental do suicídio do líder nazista, hoje a versão mais aceita. Mas sua autenticidade foi questionada por um estudo americano - que concluiu que o crânio é, na verdade, feminino.
O pedaço de osso perfurado já havia levantado polêmica em 1993, quando sua existência foi anunciada pela Rússia. Ele chegou a ser exposto publicamente no ano 2000, em Moscou, embora nunca tenha sido submetido a exames de DNA.
Em reportagem do jornal Daily Mail, Vassili Khristoforov, chefe do Serviço Federal de Segurança (SFS) da Rússia (antiga KGB), reafirma que o material é genuíno. "Os arquivos da SFS detém o maxilar de Hitler e os arquivos estatais um fragmento do crânio de Hitler", reiterou Khristoforov. "Com a exceção desses fragmentos, adquiridos em 5 de maio de 1945, não há nenhuma outra parte do corpo de Hitler".
Em setembro, análises de DNA feitas por pesquisadores da Universidade de Connecticut, nos Estados Unidos, apontaram que o fragmento pertencia a uma mulher na faixa dos 20 a 40 anos - Hitler, por sua vez, teria 56 anos na data de sua morte. Khristoforov, no entanto, salientou que a equipe não testou o maxilar e que, juntos, os ossos são peças "únicas
Fonte: Revista Veja
UM OSSO FURADO: Seria a prova do suicídio de Hitler?

O que resta do führer: buraco na têmpora por onde teria saído a bala do tiro do suicídio
Uma relíquia macabra é a principal atração da mostra A Agonia do Terceiro Reich – Retribuição, inaugurada na semana passada em Moscou para comemorar os 55 anos do fim da II Guerra. O objeto é um fragmento de crânio de 10 centímetros, com uma perfuração de bala na altura da têmpora. De acordo com os organizadores da exposição, o pedaço de osso pertence a Adolf Hitler. O führer passou os últimos dias de sua vida escondido num bunker em Berlim, em companhia da amante, Eva Braun. Até que, em 30 de abril de 1945, teria apertado o gatilho de um revólver contra a cabeça para não ver a derrocada do Exército alemão. O destino dos restos mortais de Hitler permaneceu desconhecido até 1993, quando o governo russo anunciou que estava em poder do espólio. Esse material está sendo exibido ao público pela primeira vez agora em Moscou, ao lado de uma série de objetos que pertenceram a outros líderes do comando nazista.
O crânio percorreu um caminho tortuoso até chegar à mostra. Ao encontrar o corpo do Führer, alguns de seus auxiliares resolveram atear fogo ao cadáver antes de enterrá-lo. Os soldados soviéticos que invadiram o bunker encontraram a sepultura e retiraram de lá a ossada. Entre 1945 e 1946, esse material foi enterrado e exumado três vezes. Até que, em 1970, o governo russo resolveu destruir tudo, para evitar que ele caísse nas mãos de fanáticos neonazistas. Uma das peças que escaparam foi a do crânio perfurado. Sua autenticidade é questionada, pois nunca foi submetida a exames de DNA. Muitos historiadores defendem que Hitler não teria morrido com um tiro – e sim envenenado. As autoridades russas alegam possuir outra prova importante do suicídio a bala, a arcada dentária do ditador. Ao lado do crânio, ela formaria um conjunto inquestionável. A peça continua trancafiada em arquivos secretos. "A mandíbula de Hitler é fundamental e deve ser preservada", justifica Yakov Pogony, chefe dos arquivos do Serviço Federal de Segurança da Rússia, o nome atual da antiga KGB.
30 de nov. de 2009
6 de out. de 2009
29 de set. de 2009
CRÂNIO ATRIBUÍDO A HITLER É DE UMA MULHER


Crânio atribuído a Hitler é de uma mulher e reacende dúvidas sobre sua morte
NEW HAVEN, EUA (AFP) - Um fragmento de crânio que, segundo acreditava-se, pertencia a Adolf Hitler, é, na verdade, o crânio de uma mulher não identificada, segundo um estudo americano que reavivou as dúvidas sobre a morte do líder nazista.
O fragmento, que apresenta uma marca de tiro, foi usado para sustentar a teoria de que Hitler tomou cianureto e disparou contra a própria cabeça em seu bunker de Berlim quando as tropas soviéticas se aproximavam, em abril de 1945.
Questionamentos sobre como o ditador teria morrido - incluindo especulações de que Hitler teria conseguido escapar - persistiram durante décadas.
Os debates conferiram importância ao fragmento, que foi exibido pela primeira vez no Arquivo Federal de Moscou em 2000 como um troféu de guerra único que enchia os russos de orgulho.
Além do crânio, as tropas soviéticas informaram que haviam exumado a mandíbula de Hitler e que a identidade dos restos mortais havia sido confirmada com um exame de sua arcada dentária.
Agora, professores da Universidade de Connecticut afirmam que seus estudos mostram que o crânio pertence a uma mulher jovem, qur provavelmente tinha entre 20 e 40 anos.
O arqueólogo e especialista em ossadas Nick Bellantoni contou ter suspeitado imediatamente que o crânio pertencia a uma mulher devido à estrutura óssea. Sua colega Linda Strausbaugh, diretora do centro de genética aplicada da universidade, aceitou fazer uma análise de DNA caso conseguisse extrair uma boa amostra.
Foi assim que Bellantoni viajou a Moscou, onde obteve permissão para retirar uma amostra de DNA. Em maio, sua equipe começou a trabalhar no laboratório da universidade em Storrs, Connecticut (nordeste).
Inicialmente, acharam que o mau estado de conservação do crânio fosse prejudicar a pesquisa. "O que nos mostraram foi a parte que estava carbonizada. O fogo é um dos grandes inimigos para conseguir evidência de DNA", explicou Strausbaugh à AFP.
O crânio havia sido armazenado em temperatura ambiente, o que também danificou o DNA. O interior do fragmento, no entanto, não estava queimado, e "as quantidades que obtivemos estavam dentro da gama que devem ter as amostras de DNA", indicou.
O resultado foi surpreendente. "O que o DNA nos disse é que era uma mulher", relatou Strausbaugh.
A revelação foi feita em um novo documentário divulgado pelo canal History Channel, entitulado "A fuga de Hitler", que relança a ideia de que o ditador alemão poderia ter conseguido escapar do cerco a Berlim.
Strausbaugh esclarece que suas análises não provam nada sobre o destino de Hitler, apenas revelam que o crãnio atribuído a ele pertence a outra pessoa.
Segundo o historiador especialista em Holocausto Christopher Browning, professor da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, os resultados dos exames não mudam o consenso de que Hitler morreu no bunker.
Os historiadores não se baseam apenas no relato das tropas soviéticas, ressaltou. Também há investigações feitas na época, incluindo uma levada a cabo por oficiais da inteligência britânica, que coletaram evidências de testemunhas sobre os cadáveres de Hitler e de sua amante, Eva Braun.
"Nada disso depende da suposta validade de um corpo ou crânio em poder dos russos", disse Browning. "Quando o History Channel diz que isto coloca em dúvida tudo o que sabemos desde 1945, está dando uma informação falsa".
Segundo os soviéticos, os restos mortais atribuídos a Hitler e Braun, além de Joseph Goebbels e de sua mulher e filhos, foram movidos de lugar várias vezes, destacou Brown.
"O problema com muitas destas amostras é que elas não foram arquivadas, não foram guardadas de forma correta", indicou por sua vez Strausbaugh.
Se fossem obtidas mais amostras de DNA de membros da família que morreu no bunker, as relíquias poderiam contar sua história.
Por agora, no entanto, a identidade do crânio nos arquivos de Moscou é um enigma, lamentou Strausbaugh.
Os debates conferiram importância ao fragmento, que foi exibido pela primeira vez no Arquivo Federal de Moscou em 2000 como um troféu de guerra único que enchia os russos de orgulho.
Além do crânio, as tropas soviéticas informaram que haviam exumado a mandíbula de Hitler e que a identidade dos restos mortais havia sido confirmada com um exame de sua arcada dentária.
Agora, professores da Universidade de Connecticut afirmam que seus estudos mostram que o crânio pertence a uma mulher jovem, qur provavelmente tinha entre 20 e 40 anos.
O arqueólogo e especialista em ossadas Nick Bellantoni contou ter suspeitado imediatamente que o crânio pertencia a uma mulher devido à estrutura óssea. Sua colega Linda Strausbaugh, diretora do centro de genética aplicada da universidade, aceitou fazer uma análise de DNA caso conseguisse extrair uma boa amostra.
Foi assim que Bellantoni viajou a Moscou, onde obteve permissão para retirar uma amostra de DNA. Em maio, sua equipe começou a trabalhar no laboratório da universidade em Storrs, Connecticut (nordeste).
Inicialmente, acharam que o mau estado de conservação do crânio fosse prejudicar a pesquisa. "O que nos mostraram foi a parte que estava carbonizada. O fogo é um dos grandes inimigos para conseguir evidência de DNA", explicou Strausbaugh à AFP.
O crânio havia sido armazenado em temperatura ambiente, o que também danificou o DNA. O interior do fragmento, no entanto, não estava queimado, e "as quantidades que obtivemos estavam dentro da gama que devem ter as amostras de DNA", indicou.
O resultado foi surpreendente. "O que o DNA nos disse é que era uma mulher", relatou Strausbaugh.
A revelação foi feita em um novo documentário divulgado pelo canal History Channel, entitulado "A fuga de Hitler", que relança a ideia de que o ditador alemão poderia ter conseguido escapar do cerco a Berlim.
Strausbaugh esclarece que suas análises não provam nada sobre o destino de Hitler, apenas revelam que o crãnio atribuído a ele pertence a outra pessoa.
Segundo o historiador especialista em Holocausto Christopher Browning, professor da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, os resultados dos exames não mudam o consenso de que Hitler morreu no bunker.
Os historiadores não se baseam apenas no relato das tropas soviéticas, ressaltou. Também há investigações feitas na época, incluindo uma levada a cabo por oficiais da inteligência britânica, que coletaram evidências de testemunhas sobre os cadáveres de Hitler e de sua amante, Eva Braun.
"Nada disso depende da suposta validade de um corpo ou crânio em poder dos russos", disse Browning. "Quando o History Channel diz que isto coloca em dúvida tudo o que sabemos desde 1945, está dando uma informação falsa".
Segundo os soviéticos, os restos mortais atribuídos a Hitler e Braun, além de Joseph Goebbels e de sua mulher e filhos, foram movidos de lugar várias vezes, destacou Brown.
"O problema com muitas destas amostras é que elas não foram arquivadas, não foram guardadas de forma correta", indicou por sua vez Strausbaugh.
Se fossem obtidas mais amostras de DNA de membros da família que morreu no bunker, as relíquias poderiam contar sua história.
Por agora, no entanto, a identidade do crânio nos arquivos de Moscou é um enigma, lamentou Strausbaugh.
18 de set. de 2009
MOSTEIRO DE ALCOBAÇA-Portugal
Conheça o túmulo de D.Pedro I de Portugal e de D.Inês de Castro. O primeiro caso de amor eterno de Coimbra.
6 de set. de 2009
7 DE SETEMBRO: INDEPENDÊNCIA DO BRASIL

INTRODUÇÃO
A Independência do Brasil é um dos fatos históricos mais importantes de nosso país, pois marca o fim do domínio português e a conquista da autonomia política. Muitas tentativas anteriores ocorreram e muitas pessoas morreram na luta por este ideal. Podemos citar o caso mais conhecido: Tiradentes. Foi executado pela coroa portuguesa por defender a liberdade de nosso país, durante o processo da Inconfidência Mineira.
DIA DO FICO
Em 9 de janeiro de 1822, D. Pedro I recebeu uma carta das cortes de Lisboa, exigindo seu retorno para Portugal. Há tempos os portugueses insistiam nesta idéia, pois pretendiam recolonizar o Brasil e a presença de D. Pedro impedia este ideal. Porém, D. Pedro respondeu negativamente aos chamados de Portugal e proclamou : "Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que fico."
O PROCESSO DA INDEPENDÊNCIA
Após o Dia do Fico, D. Pedro tomou uma série de medidas que desagradaram a metrópole, pois preparavam caminho para a independência do Brasil. D. Pedro convocou uma Assembléia Constituinte, organizou a Marinha de Guerra, obrigou as tropas de Portugal a voltarem para o reino. Determinou também que nenhuma lei de Portugal seria colocada em vigor sem o " cumpra-se ", ou seja, sem a sua aprovação. Além disso, o futuro imperador do Brasil, conclamava o povo a lutar pela independência.
O príncipe fez uma rápida viagem à Minas Gerais e a São Paulo para acalmar setores da sociedade que estavam preocupados com os últimos acontecimento, pois acreditavam que tudo isto poderia ocasionar uma desestabilização social. Durante a viagem, D. Pedro recebeu uma nova carta de Portugal que anulava a Assembléia Constituinte e exigia a volta imediata dele para a metrópole..
Estas notícias chegaram as mãos de D. Pedro quando este estava em viagem de Santos para São Paulo. Próximo ao riacho do Ipiranga, levantou a espada e gritou : " Independência ou Morte !". Este fato ocorreu no dia 7 de setembro de 1822 e marcou a Independência do Brasil. No mês de dezembro de 1822, D. Pedro foi declarado imperador do Brasil.
PÓS INDEPENDÊNCIA
Os primeiros países que reconheceram a independência do Brasil foram os Estados Unidos e o México. Portugal exigiu do Brasil o pagamento de 2 milhões de libras esterlinas para reconhecer a independência de sua ex-colônia. Sem este dinheiro, D. Pedro recorreu a um empréstimo da Inglaterra.
Embora tenha sido de grande valor, este fato histórico não provocou rupturas sociais no Brasil. O povo mais pobre se quer acompanhou ou entendeu o significado da independência. A estrutura agrária continuou a mesma, a escravidão se manteve e a distribuição de renda continuou desigual. A elite agrária, que deu suporte D. Pedro I, foi a camada que mais se beneficiou.
Fonte: suapesquisa.com
28 de abr. de 2009
CONSTRUTORA ENCONTRA MENSAGEM DE PRISIONEIROS DE AUSCHWITZ

Ao realizar uma obra perto do campo de extermínio nazista, trabalhadores encontraram, dentro de uma garrafa, carta escrita durante a Segunda Guerra Mundial
Mensagem escrita por prisioneiros do campo de extermínio nazista é encontrada por funcionários de obra
Uma mensagem escrita a lápis em 9 de setembro de 1944 foi encontrada por funcionários de uma obra próxima do local onde ficava Auschwitz, na Polônia. O museu do campo de extermínio nazista informou que a carta tem nomes, números e as cidades de nascimento de sete prisioneiros, seis poloneses e um francês. Segundo agentes do museu de Auschwitz, três pessoas citadas na carta teriam sobrevivido ao Holocausto.
A garrafa que continha a mensagem foi encontrada dentro de uma parede de concreto de uma escola construída com o trabalho compulsório dos prisioneiros. O prédio, a poucas centenas de metros do campo de concentração, era usada como posto do Exército nazista.
O museu, dedicado a manter a memória do Holocausto, verificou a autenticidade da mensagem, escrita por prisioneiros que tinham, então, entre 18 e 20 anos. A ideia da carta era deixar para a posteridade algum sinal de sua existência.
A reportagem da BBC falou com Albert Veissid, um dos nomes citados na mensagem, que sobreviveu à Segunda Guerra e hoje mora na França. O museu tenta localizar Karol Czekalski e Wachaw Sobczak, que também teriam sobrevivido ao genocídio de mais de 6 milhões de pessoas promovido pelo regime de Adolf Hitler. Só em Auschwitz, mais de 1 milhão de pessoas foram executadas.
REDAÇÃO ÉPOCA
21 de abr. de 2009
TIRADENTES

Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, (Fazenda do Pombal[1], batizado em 12 de novembro de 1746 — Rio de Janeiro, 21 de abril de 1792) foi um dentista, tropeiro,minerador, comerciante, militar e ativista político que atuou no Brasil colonial, mais especificamente nas capitanias de Minas Gerais e Rio de Janeiro. No Brasil, é reconhecido como mártir da Inconfidência Mineira, patrono cívico e herói nacional.
RESUMO BIBLIOGRAFICO
1746: Nasce em Pombal, distrito de S. José d’el Rei (hoje Tiradentes), Minas Gerais; os pais são Domingos da Silva Santos, nascido em Portugal, e Maria Antónia da Encarnação Xavier, nascida na Vila de São José d’el Rei (Brasil). - 1755: Morre Maria Antónia; o viúvo e os órfãos mudam-se de vez para a Vila de São José. - 1757: Órfão de pai. - 1780: Arregimenta-se como soldado. - 1781: É promovido a Alferes. - 1786:A mando do governador da capitania de Vila Rica, leva brilhantemente a cabo estudos demográficos, geográficos, geológicos, mineralógicos - quer de aplicação civil, quer militar. - 1788: Envolve-se na Inconfidência contra a Coroa portuguesa - 1789: Como conspirador, é preso no Rio de Janeiro. - 1792: É enforcado em praça pública e depois esquartejado.
João Sodré
http://www.vidaslusofonas.pt/tiradentes.htm
3 de abr. de 2009
CONHEÇA A HISTÓRIA DO DIA 1º DE ABRIL: DIA DA MENTIRA

Feliz primeiro de abril
Você sabia que o dia da mentira tem tudo a ver com o ano novo? Conheça essa incrível história!
Caro leitor, comunicamos que a partir deste mês a CHC será escrita em russo. Espera aí... O quê? Calma, é só primeiro de abril! Você já sabe que pregar peças é uma tradição no chamado dia da mentira. Descubra agora de onde vem esse costume!
Feliz ano novo?
A instituição de primeiro de abril como o dia da mentira tem suas raízes na celebração do ano novo. Ué, mas o ano novo não começa no dia primeiro de janeiro? Pois é. Só que nem sempre foi assim.
Antigamente, o ano novo era celebrado em março, no dia em que ocorre o chamado equinócio. Nessa data, a posição do Sol em relação à Terra faz com que a duração do dia seja igual à da noite. Esse fenômeno ocorre em 21 de março – ou 22, nos anos bissextos – e marca o início da primavera no hemisfério Norte e do outono no hemisfério Sul.
No passado, o final de março era marcado por uma série de festividades que faziam a despedida do ano velho. O primeiro dia útil do ano ficava sendo, então, o primeiro de abril. Viu como era diferente?
Um nó na cabeça!
Mas onde entra a parte da mentira nessa história? Imagine só: você certamente está acostumado a celebrar o ano novo na passagem de 31 de dezembro para primeiro de janeiro. De repente, um comunicado avisa que a festa foi transferida para junho. Não ia dar uma confusão na sua cabeça? Pois foi mais ou menos isso o que aconteceu!
No ano 44 antes de Cristo, foi elaborado o calendário juliano, no Império Romano. Uma das mudanças instituídas por ele foi a transferência do início do ano para primeiro de janeiro. Só que, na prática, não foi bem isso o que aconteceu. “Como a informação não circulava, cada aldeia fazia do seu jeito e muita gente continuou a celebrar o ano novo em primeiro de abril”, conta o astrônomo Alexandre Cherman, da Fundação Planetário da Cidade do Rio de Janeiro.
Já em 1582, o papa Gregório XVIII ordenou que passasse a ser utilizado o calendário gregoriano. Nele, o ano novo também era celebrado em janeiro. Mas, dessa vez, a teoria iria ser posta na prática, pois um decreto do rei da França deixou bem claro: o ano novo deveria passar a ser festejado em janeiro.
O dia dos tolos
Só que algumas pessoas continuaram insistindo em manter a celebração em primeiro de abril. Começaram a ser chamadas de tolos. Muitos debochavam delas, já que agora o primeiro de abril era uma grande mentira! Por causa disso, a data ficou conhecida como o dia da mentira ou o dia dos tolos, como é chamada nos países de língua inglesa.
Com o passar do tempo, desenvolveu-se o hábito de pregar peças e contar mentiras no dia primeiro de abril nos países da Europa e nos colonizados por europeus, como o Brasil. Essa tradição continua valendo nos dias de hoje, quando nem pensamos mais na possibilidade de começar o ano em outra data!
Gostou da história? Então, que tal contá-la aos seus amigos? Só não se esqueça de avisar que não é piada de primeiro de abril, senão eles não vão acreditar!
Tatiane Leal (Ciencia Hoje)
21 de mar. de 2009
TERESA CRISTINA - 189 anos do nascimento

Dona Teresa Cristina de Bourbon-Duas Sicílias (Nápoles, 14 de março de1822 — Porto, 28 de dezembro de 1889) foi a terceira e última imperatriz-consorte do Brasil, esposa do imperador Dom Pedro II. Foi a mãe das princesas Isabel e Leopoldina.
Morreu aos 68 anos de idade.
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14 de nov. de 2008
D.PEDRO III, O IMPERADOR QUE NÃO EXISTIU
Pedro Augusto na infância
O Imperador D.Pedro II em 1876
Nesta foto da familia Imperial, tirada em 1888, Pedro Augusto, já adulto, aparece à direita de seu avô, D.Pedro II. No ano seguinte seria proclamada a República do Brasil.D. Pedro III, o imperador que não existiu
Conheça o neto de D. Pedro II que não herdou o trono por causa da proclamação da República
Ele era o neto preferido de D. Pedro II e forte candidato ao trono brasileiro. Até que certos acontecimentos destruíram o seu sonho de ser imperador do Brasil, como a proclamação da República, realizada em 15 de novembro de 1889. Desde então, esquecido, esse personagem da História pouco aparece nos livros sobre a família imperial. Para quem ainda não o conhece, porém, apresentamos Pedro de Alcântara Augusto Luís Maria Rafael Gonzaga de Saxe-Coburgo e Bragança: o – ufa! – “Nesta foto da família imperial, tirada em 1888, Pedro Augusto, já adulto, aparece à direita de seu avô, D. Pedro II. No ano seguinte, seria proclamada a República no Brasil.” terceiro imperador do Brasil.
Nascido no Rio de Janeiro, em 1866, Pedro Augusto era o primeiro filho da princesa Nesta foto da família imperial, tirada em 1888, Pedro Augusto, já adulto, aparece à direita de seu avô, D. Pedro II. No ano seguinte, seria proclamada a República no Brasil., a filha mais nova de D. Pedro II. O imperador tinha muita afeição por esse neto, o mais parecido fisicamente com ele, e depositava enorme esperança de que o menino o substituísse no futuro. Para tanto, orientava-o e verificava pessoalmente sua educação. “D. Pedro II, até o fim da vida, amparou o neto que adorava. Ele era um rapaz belíssimo, adorado pelo povo do Rio de Janeiro, que fazia fila à porta de sua casa para vê-lo entrar e sair a cavalo”, diz a historiadora Mary Del Priori, autora do livro O Príncipe Maldito, da Editora Objetiva, que conta a história de Pedro Augusto e do Brasil da época.
Nascimento inesperado
O neto predileto do imperador cresceu cercado de carinho e expectativas. Afinal, somente se a filha mais velha de D. Pedro II, Isabel, sua tia, tivesse um menino, Pedro Augusto teria a coroa ameaçada. Isso porque, pela ordem de sucessão, o filho de Isabel é quem deveria ser o terceiro imperador do Brasil. A princesa, porém, ainda não tinha um herdeiro, mesmo estando casada há dez anos com o Conde D’Eu.
A história, porém, mudou com o anúncio da gravidez de Isabel. Depois de muito tempo casada, ela teve, finalmente, um filho, que representava uma grande ameaça aos sonhos de Pedro Augusto. Mesmo à sombra do primo, porém, o neto predileto de D. Pedro II cresceu com fortes expectativas de, no futuro, governar o Brasil. Tanto é que foi educado nos melhores colégios e se formou em engenharia.
Já adulto, Pedro Augusto começou a se envolver com assuntos políticos, mantendo a esperança de herdar o trono. Ele era inteligente e admirado por todos. Mas o Brasil passava por grandes mudanças. O país estava dividido. Fatos como a abolição da escravidão e a idéia de que o Brasil não devia mais ser comandado por um imperador – e sim por representantes eleitos pelo povo, transformando-se numa República – ameaçavam e aumentavam a pressão sobre a família imperial.
Doente e esquecido
Em 1889, de fato, a República acabou sendo instaurada no Brasil, apesar de muitos conflitos. Com isso, a família imperial teve que partir para a Europa. Junto com ela, seguiu Pedro Augusto, o “quase” terceiro imperador do Brasil. Em meio a tantos acontecimentos, ele adoeceu e enlouqueceu. De volta à Áustria, após longos tratamentos na Europa, foi internado em um manicômio, onde morreu, em 1934, aos 68 anos, longe do sonho de um dia ser o terceiro imperador do Brasil.
Por que será, porém, que o neto preferido de D. Pedro II quase não é mencionado quando o assunto é a época em que o Brasil foi um império? “A história explica a razão: os monarquistas – isto é, as pessoas que defendiam que o Brasil devia continuar a ser uma monarquia, sendo governado por um imperador – nunca quiseram que viessem à tona as tensões dentro da família imperial. Como falar em Pedro Augusto é falar de loucura e traição, no entender de alguns, isso mancharia a idéia de uma família impecável, sem ódios ou outros sentimentos comuns às famílias normais”, conta Mary Del Priori.
De fato, a história de Pedro Augusto é diferente da maioria dos contos de fadas, em que príncipes e princesas vivem felizes para sempre. Mas conhecê-la, ainda mais às vésperas de mais um aniversário da proclamação da República, é algo importante. Afinal, se ele tivesse realizado o seu sonho, certamente você gostaria de saber quem foi o terceiro imperador do Brasil, não é?
Cathia Abreu
5 de set. de 2008
INDEPENDÊNCIA DO BRASIL
A cerimônia de coroação de D. Pedro I como imperador do Brasil (imagem: reprodução de Coroação de D. Pedro I, de Jean Baptiste Debret).
Leopoldina, a esposa de D. Pedro I.
Quando chegou ao Brasil, Pedro tinha apenas nove anos (imagem: reprodução de D. Pedro de Alcântara, Príncipe Real do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve, de Jules Vauthier).
Os pais de D. Pedro I: D. João VI e Carlota Joaquina (imagens: reproduções de Retrato de D. João VI e Rainha Carlota Joaquina, de Jean Baptiste Debret).INDEPENDÊNCIA OU MORTE!
Você sabe que ele disse essa frase, mas o que mais conhece a respeito de D. Pedro I?
Há 186 anos, no dia sete de setembro de 1822, D. Pedro I disse a frase que entraria para a História: “Independência ou morte!”, declarando, assim, que o Brasil deixava de ser uma colônia de Portugal para se tornar um país independente. Mas se isso você aprendeu na escola, aposto que ninguém lhe contou – ainda! – que D. Pedro I foi um menino que gostava de pregar peças nos outros, um adolescente namorador e um marido meio pão-duro. Pois agora você vai saber disso tudo – e muito mais – sobre um dos personagens mais importantes da nossa história: D. Pedro I!
INFÂNCIA DE PRINCIPE
Filho de D. João VI e Carlota Joaquina, Pedro nasceu em Portugal no dia 12 de outubro de 1798 e, até embarcar para o Brasil, no dia 27 de novembro de 1807, viveu no Palácio de Queluz junto com sua avó, apelidada de “Dona Maria, a Louca”.
Ainda menino, ficou deslumbrado com o uniforme de um general francês que se apresentou na corte de D. João VI como embaixador da França. Tanto encantamento fez com que seu pai pedisse o uniforme emprestado, para fazer um igual para ele e o filho.
Pedro chegou ao Brasil aos nove anos de idade. No Rio de Janeiro, onde passou a viver, cresceu muito livre e solto. Gostava de pregar peça nos outros e de brincar de soldado e de guerra com seu irmão mais novo, Miguel, com quem também brigava muito. “Além disso, apreciava a companhia das pessoas mais simples e fazia muitos exercícios: andava a cavalo, por exemplo, pois montava muito bem”, conta a historiadora Isabel Lustosa, da Fundação Casa de Rui Barbosa. Para completar, quando criança, aprendeu marcenaria e música
D.PEDRO I: JEITO DE SER
D. Pedro I sempre apresentou uma personalidade difícil. “Ele era impulsivo, sujeito a ataques de fúria sucedidos por grandes arrependimentos, algo que talvez se devesse ao fato de ser epilético”, conta Isabel Lustosa, referindo-se à doença que D. Pedro I apresentava, caracterizada por convulsões e crises de perda de consciência. Apesar disso, D. Pedro I era muito ativo: costumava acordava cedo e estava sempre em movimento. “Durante a adolescência, revelou-se um grande namorador, o que continuou sendo a vida toda, mesmo depois de casado”, conta Isabel Lustosa.
MARIDO NOTA ZERO
Leopoldina, a esposa de D. Pedro I.D. Pedro I foi um marido infiel e muito duro com sua primeira mulher: Dona Leopoldina. Sua esposa o amava e sofreu por ele, mesmo casado, continuar a se encontrar com outra mulher: a Marquesa de Santos. Além disso, D. Pedro I era avarento, ou seja, pão-duro. Como resultado, sua esposa vivia de forma muito pobre. Circulava também o boato de ele, eventualmente, ter batido nela – um horror!
AMIGOS DO PEITO
Apesar de ser uma pessoa difícil de lidar, D. Pedro I teve alguns amigos próximos. Um deles era conhecido como Chalaça: um sujeito engraçado, que era seu companheiro para farrear. Eles andavam sempre juntos. “Já na vida política, D. Pedro chegou a ser muito amigo de seu ministro José Bonifácio”, conta Isabel Lustosa. “Depois, porém, rompeu com ele e o expulsou do Rio de Janeiro.” Banido do Brasil, José Bonifácio viveu na França por mais de seis anos. Quando retornou ao Rio de Janeiro, em 1829, D. Pedro o recebeu como se a amizade fosse a mesma do começo. Apesar do que havia feito com ele, D. Pedro considerava José Bonifácio um “verdadeiro amigo”, tanto que quando teve que abrir mão do trono brasileiro, o nomeou o responsável por seu filho D. Pedro II, que continuou no Brasil.
NA HISTÓRIA BRASILEIRA
D. Pedro I foi um personagem muito importante para a História do nosso país, em especial para a independência do Brasil. No dia 9 de janeiro de 1822 – o “Dia do Fico”, em que disse a famosa frase “Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que fico” –, ele recusou-se a voltar a Portugal, como lhe era exigido, e, uma vez no Brasil, assumiu as causas dos brasileiros como uma causa sua.
A cerimônia de coroação de D. Pedro I como imperador do Brasil (imagem: reprodução de Coroação de D. Pedro I, de Jean Baptiste Debret). “Essa decisão influiu no destino do nosso país, pois, se D. Pedro I não tivesse ficado aqui, provavelmente o Brasil se dividiria em vários países, como ocorreu nas áreas do continente americano que ficaram sob domínio espanhol”, explica Isabel Lustosa. Para você ter uma idéia, a América Central, por exemplo, foi colônia espanhola e hoje está dividida em vários países, como Costa Rica e Nicarágua, em parte por não contar com um governo único e centralizado na época da colonização. D. Pedro I, ao ficar no Brasil, desempenhou esse papel de centralizar o poder após a independência, contribuindo assim para manter o nosso país unido. Caso D. Pedro I tivesse partido, porém, não é provável apenas que o Brasil tivesse se dividido. Talvez ele também não tivesse continuado a ser uma monarquia – a única das Américas – como ocorreu. Afinal, apenas em 1889, o Brasil se tornaria uma república. Nem tudo, porém, são flores. É preciso lembrar que o fato de o Brasil ter continuado a ser uma monarquia após a independência – e ter como imperador alguém que mantinha uma ligação muito próxima com Portugal, como D. Pedro I – prejudicou a política e os interesses do Brasil em vários pontos. Assim são a História e os personagens que fazem parte dela: repleta de ações que têm conseqüências ao mesmo tempo boas e ruins.
Bia Aparecida
Ciência Hoje das Crianças
Você sabe que ele disse essa frase, mas o que mais conhece a respeito de D. Pedro I?
Há 186 anos, no dia sete de setembro de 1822, D. Pedro I disse a frase que entraria para a História: “Independência ou morte!”, declarando, assim, que o Brasil deixava de ser uma colônia de Portugal para se tornar um país independente. Mas se isso você aprendeu na escola, aposto que ninguém lhe contou – ainda! – que D. Pedro I foi um menino que gostava de pregar peças nos outros, um adolescente namorador e um marido meio pão-duro. Pois agora você vai saber disso tudo – e muito mais – sobre um dos personagens mais importantes da nossa história: D. Pedro I!
INFÂNCIA DE PRINCIPE
Filho de D. João VI e Carlota Joaquina, Pedro nasceu em Portugal no dia 12 de outubro de 1798 e, até embarcar para o Brasil, no dia 27 de novembro de 1807, viveu no Palácio de Queluz junto com sua avó, apelidada de “Dona Maria, a Louca”.
Ainda menino, ficou deslumbrado com o uniforme de um general francês que se apresentou na corte de D. João VI como embaixador da França. Tanto encantamento fez com que seu pai pedisse o uniforme emprestado, para fazer um igual para ele e o filho.
Pedro chegou ao Brasil aos nove anos de idade. No Rio de Janeiro, onde passou a viver, cresceu muito livre e solto. Gostava de pregar peça nos outros e de brincar de soldado e de guerra com seu irmão mais novo, Miguel, com quem também brigava muito. “Além disso, apreciava a companhia das pessoas mais simples e fazia muitos exercícios: andava a cavalo, por exemplo, pois montava muito bem”, conta a historiadora Isabel Lustosa, da Fundação Casa de Rui Barbosa. Para completar, quando criança, aprendeu marcenaria e música
D.PEDRO I: JEITO DE SER
D. Pedro I sempre apresentou uma personalidade difícil. “Ele era impulsivo, sujeito a ataques de fúria sucedidos por grandes arrependimentos, algo que talvez se devesse ao fato de ser epilético”, conta Isabel Lustosa, referindo-se à doença que D. Pedro I apresentava, caracterizada por convulsões e crises de perda de consciência. Apesar disso, D. Pedro I era muito ativo: costumava acordava cedo e estava sempre em movimento. “Durante a adolescência, revelou-se um grande namorador, o que continuou sendo a vida toda, mesmo depois de casado”, conta Isabel Lustosa.
MARIDO NOTA ZERO
Leopoldina, a esposa de D. Pedro I.D. Pedro I foi um marido infiel e muito duro com sua primeira mulher: Dona Leopoldina. Sua esposa o amava e sofreu por ele, mesmo casado, continuar a se encontrar com outra mulher: a Marquesa de Santos. Além disso, D. Pedro I era avarento, ou seja, pão-duro. Como resultado, sua esposa vivia de forma muito pobre. Circulava também o boato de ele, eventualmente, ter batido nela – um horror!
AMIGOS DO PEITO
Apesar de ser uma pessoa difícil de lidar, D. Pedro I teve alguns amigos próximos. Um deles era conhecido como Chalaça: um sujeito engraçado, que era seu companheiro para farrear. Eles andavam sempre juntos. “Já na vida política, D. Pedro chegou a ser muito amigo de seu ministro José Bonifácio”, conta Isabel Lustosa. “Depois, porém, rompeu com ele e o expulsou do Rio de Janeiro.” Banido do Brasil, José Bonifácio viveu na França por mais de seis anos. Quando retornou ao Rio de Janeiro, em 1829, D. Pedro o recebeu como se a amizade fosse a mesma do começo. Apesar do que havia feito com ele, D. Pedro considerava José Bonifácio um “verdadeiro amigo”, tanto que quando teve que abrir mão do trono brasileiro, o nomeou o responsável por seu filho D. Pedro II, que continuou no Brasil.
NA HISTÓRIA BRASILEIRA
D. Pedro I foi um personagem muito importante para a História do nosso país, em especial para a independência do Brasil. No dia 9 de janeiro de 1822 – o “Dia do Fico”, em que disse a famosa frase “Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que fico” –, ele recusou-se a voltar a Portugal, como lhe era exigido, e, uma vez no Brasil, assumiu as causas dos brasileiros como uma causa sua.
A cerimônia de coroação de D. Pedro I como imperador do Brasil (imagem: reprodução de Coroação de D. Pedro I, de Jean Baptiste Debret). “Essa decisão influiu no destino do nosso país, pois, se D. Pedro I não tivesse ficado aqui, provavelmente o Brasil se dividiria em vários países, como ocorreu nas áreas do continente americano que ficaram sob domínio espanhol”, explica Isabel Lustosa. Para você ter uma idéia, a América Central, por exemplo, foi colônia espanhola e hoje está dividida em vários países, como Costa Rica e Nicarágua, em parte por não contar com um governo único e centralizado na época da colonização. D. Pedro I, ao ficar no Brasil, desempenhou esse papel de centralizar o poder após a independência, contribuindo assim para manter o nosso país unido. Caso D. Pedro I tivesse partido, porém, não é provável apenas que o Brasil tivesse se dividido. Talvez ele também não tivesse continuado a ser uma monarquia – a única das Américas – como ocorreu. Afinal, apenas em 1889, o Brasil se tornaria uma república. Nem tudo, porém, são flores. É preciso lembrar que o fato de o Brasil ter continuado a ser uma monarquia após a independência – e ter como imperador alguém que mantinha uma ligação muito próxima com Portugal, como D. Pedro I – prejudicou a política e os interesses do Brasil em vários pontos. Assim são a História e os personagens que fazem parte dela: repleta de ações que têm conseqüências ao mesmo tempo boas e ruins.
Bia Aparecida
Ciência Hoje das Crianças
30 de ago. de 2008
O NASCIMENTO DA MEDICINA NO BRASIL
Cirurgião-mor do reino que acompanhou a
familia real na sua vinda para o Brasil e
ajudou a fundar a Escola de Cirugia da Bahia.
óleo sobre tela de pintor não identificado
Há 200 anos eram criadas as escolas de cirurgia da Bahia e do Rio de Janeiro A vinda da família real portuguesa para o Brasil, em 1808, deu início a uma série de transformações profundas na colônia, que se tornou, a partir de então, o centro do império lusitano. Essa migração, motivada pela ameaça de invasão de Portugal pelas tropas napoleônicas, propiciou, além da criação de uma complexa estrutura para administrar as possessões portuguesas, a fundação de instituições necessárias ao governo do império e à europeização da corte nos trópicos. É nesse contexto que surgem instituições importantes como a Biblioteca Nacional, o Jardim Botânico e a Imprensa Régia e são criadas as escolas de cirurgia da Bahia e do Rio de Janeiro, que viabilizaram o processo de institucionalização da medicina no país.
Até o princípio de século 19, as práticas de cura na América portuguesa eram realizadas por diferentes personagens ligados a esse tipo de exercício. Cirurgiões barbeiros, boticários, sangradores, curandeiros e feiticeiros ocupavam o espaço aberto pela falta de médicos, que eram uma raridade na colônia. Salvo exceções, os poucos que ali exerciam o ofício tinham pouco prestígio e conhecimento. A escassez desses profissionais no vasto território português na América tornou-se uma das preocupações do príncipe regente, D. João VI. Assim, uma de suas primeiras medidas após a chegada da corte à colônia foi criar um curso de formação de cirurgiões. Em sua passagem por Salvador, fundou, por meio da carta régia de 18 de fevereiro de 1808, a Escola de Cirurgia da Bahia, sob orientação de José Corrêa Picanço (1745-1824), cirurgião-mor do reino que acompanhava a família real no ‘exílio’. A escola foi instalada no Hospital Real Militar da capital baiana e oferecia, no início de suas atividades, apenas duas disciplinas: Cirurgia especulativa e prática e Anatomia e operações cirúrgicas. O curso funcionou nesses moldes até 1815, quando foi transferido para a Santa Casa de Misericórdia e transformado em Academia Médico-Cirúrgica da Bahia por ocasião da primeira reorganização do ensino médico. O marco de fundação da Escola Anatômica, Cirúrgica e Médica do Rio de Janeiro foi, segundo o historiador da medicina Lycurgo de Castro Santos Filho, a nomeação do cirurgião Joaquim da Rocha Mazarém (1775-1849) para a cadeira de anatomia no Hospital Militar da corte em 2 de abril de 1808. Por meio de decretos do príncipe regente, foram criadas novas disciplinas, como terapêutica cirúrgica e particular, ministrada pelo cirurgião José Lemos de Magalhães, e medicina clínica, teórica e prática e princípios elementares de farmacêutica, a cargo do médico José Maria Bomtempo (1774-1843), antigo físico-mor de Angola, autor de substanciosa bibliografia sobre a medicina de sua época.
Até o princípio de século 19, as práticas de cura na América portuguesa eram realizadas por diferentes personagens ligados a esse tipo de exercício. Cirurgiões barbeiros, boticários, sangradores, curandeiros e feiticeiros ocupavam o espaço aberto pela falta de médicos, que eram uma raridade na colônia. Salvo exceções, os poucos que ali exerciam o ofício tinham pouco prestígio e conhecimento. A escassez desses profissionais no vasto território português na América tornou-se uma das preocupações do príncipe regente, D. João VI. Assim, uma de suas primeiras medidas após a chegada da corte à colônia foi criar um curso de formação de cirurgiões. Em sua passagem por Salvador, fundou, por meio da carta régia de 18 de fevereiro de 1808, a Escola de Cirurgia da Bahia, sob orientação de José Corrêa Picanço (1745-1824), cirurgião-mor do reino que acompanhava a família real no ‘exílio’. A escola foi instalada no Hospital Real Militar da capital baiana e oferecia, no início de suas atividades, apenas duas disciplinas: Cirurgia especulativa e prática e Anatomia e operações cirúrgicas. O curso funcionou nesses moldes até 1815, quando foi transferido para a Santa Casa de Misericórdia e transformado em Academia Médico-Cirúrgica da Bahia por ocasião da primeira reorganização do ensino médico. O marco de fundação da Escola Anatômica, Cirúrgica e Médica do Rio de Janeiro foi, segundo o historiador da medicina Lycurgo de Castro Santos Filho, a nomeação do cirurgião Joaquim da Rocha Mazarém (1775-1849) para a cadeira de anatomia no Hospital Militar da corte em 2 de abril de 1808. Por meio de decretos do príncipe regente, foram criadas novas disciplinas, como terapêutica cirúrgica e particular, ministrada pelo cirurgião José Lemos de Magalhães, e medicina clínica, teórica e prática e princípios elementares de farmacêutica, a cargo do médico José Maria Bomtempo (1774-1843), antigo físico-mor de Angola, autor de substanciosa bibliografia sobre a medicina de sua época.
Silvio Cezar de Souza Lima
Programa de Pós-graduação em História das Ciências da Saúde (doutorando)
Casa de Oswaldo Cruz
Fundação Oswaldo Cruz (RJ)
29 de ago. de 2008
O BRASIL VISTO POR DARWIN
Darwin na época da viagem
Historiador da ciência resgata passagem do naturalista pelo Rio e pelo Nordeste nos anos 1830 Charles Darwin retratado pelo pintor inglês George Richmond (1809-1896) na época em que passou pelo Brasil. Recém-formado, aos 24 anos, Darwin era o naturalista de bordo do Beagle. Em 2008, comemoram-se 150 anos da teoria da seleção natural, proposta em conjunto pelos naturalistas britânicos Charles Darwin (1809-1882) e Alfred Wallace (1823-1913). A efeméride é a ocasião de relembrar a passagem dos dois naturalistas pelo Brasil e a contribuição das observações feitas por ambos em nosso país para a formulação da teoria que mudou a biologia. A passagem de Darwin pelo Brasil foi o foco da conferência do físico e historiador da ciência Ildeu de Castro Moreira na reunião anual da SBPC. Moreira, que dirige o Departamento de Popularização e Difusão da Ciência do Ministério da Ciência e Tecnologia, está tentando reconstituir os diferentes passos da passagem do naturalista inglês pelo país e está envolvido na organização de vários eventos comemorativos dos 150 anos da teoria da seleção natural. Darwin passou pelo Brasil a bordo do Beagle, navio encarregado de dar a volta ao mundo fazendo medições importantes para a marinha britânica. Recém-formado, aos 24 anos, Darwin era o naturalista de bordo, incumbido de fazer observações geológicas e biológicas durante a expedição. Na viagem, que durou quase cinco anos, o inglês coletou material e fez observações que, mais tarde, o colocariam na trilha da seleção natural. Algumas das primeiras escalas do Beagle foram feitas na costa brasileira, em Fernando de Noronha, Salvador, Abrolhos e no Rio de Janeiro, onde Darwin passou quatro meses. “Darwin ficou hospedado em Botafogo, que era então um bairro nobre e tranqüilo, onde nobres e embaixadores tinham sítios”, conta Moreira. “Estamos tentando identificar a localização exata da casa em que ele ficou, provavelmente na atual rua São Clemente.” Em 1836, após completar a circunavegação, o Beagle fez novas escalas no Brasil, em Salvador e Recife, em seu caminho rumo à Inglaterra. A deslumbrante natureza foi o que mais chamou a atenção de Darwin em sua passagem pelo Brasil. Seu diário de bordo e as notas de viagem reunidas anos mais tarde em livro (A viagem do Beagle, disponível em português) refletem o encanto do jovem inglês com a luxuriante paisagem tropical. “Delícia é um termo fraco para exprimir os sentimentos de um naturalista que, pela primeira vez, se viu perambulando por uma floresta brasileira”, escreveu Darwin sobre sua passagem por Salvador. Seu relato é repleto de adjetivos deslumbrados que exaltavam “a exuberância geral da vegetação”, “a elegância da grama”, “a beleza das flores” ou “o verde lustroso da folhagem”. Humanismo e preconceito A enseada de Botafogo retratada pelo pintor britânico Conrad Martens (1801-1878) em 1832, mesmo ano em que Darwin passou quatro meses na cidade. As notas de viagem de Darwin refletem também sua visão sobre a sociedade brasileira. Em várias passagens, elas manifestam o humanismo do naturalista, que recrimina reiteradas vezes a escravidão contemplada por ele no país. Mas Ildeu Moreira lembra também que as observações do inglês denotam certo preconceito em algumas passagens. Sua impaciência com a burocracia brasileira, por exemplo, ou sua decepção com os modos rudes com que foi tratado por certos habitantes locais motivaram comentários pouco simpáticos à população brasileira em suas anotações. “Darwin fez algumas generalizações sobre os brasileiros e às vezes julgava as pessoas pela sua aparência ou pela forma como se vestiam”, diz Moreira. O historiador da ciência chama a atenção também para outro aspecto interessante que se sobressai das anotações feitas por Darwin em sua passagem pelo Brasil. Esses relatos mostram como o inglês foi ajudado por habitantes locais em suas incursões pela mata e nas expedições para coleta de material biológico. Moreira lembra que esses guias, geralmente omitidos nos relatos científicos dos naturalistas, aparecem mais claramente nos relatos de viagem, escritos em estilo mais solto. “Os índios, escravos e crianças que ajudavam os naturalistas do século 19 tinham um conhecimento que, depois de catalogado e registrado, foi incorporado ao acervo da ciência mundial”, afirma Moreira. “Isso não representa um demérito para esses cientistas, mas nada teria sido feito sem a ajuda desses guias. Não podemos perder a perspectiva de que a ciência dependia do conhecimento das populações nativas.”
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